Assessoria de Imprensa: Uma Ferramenta Privilegiada do Leque de Opções da Comunicação Empresarial

(A atividade, exercida no Brasil há mais de 30 anos, ganhou o status que merecia, recentemente, transformando-se num excelente mercado de trabalho para os profissionais recém-formados, tratando-se de uma das ferramentas mais acessíveis em termos de custo pelo empresariado, principalmente pelo pequeno e médio, com retornos de imagem positiva para a empresa e/ou marca, geralmente surpreendentes. Vale a pena conhecer um pouco mais sobre o que é e quando se utilizar da Assessoria de Imprensa.).

por  Marisa Rodrigues (*)

Todo mundo quer ter uma…!!!

 Sabe-se que foi criada pelos americanos –eles criam tudo!!!– e, obviamente, é uma derivação da prática do jornalismo, do ponto de vista de quem gera a notícia: as empresas, os políticos, a sociedade, os ativistas sociais, etc… Também chamada de Jornalismo Empresarial, a Assessoria de Imprensa é uma ferramenta utilizada por uma empresa, quando quer comunicar-se, através da imprensa, com o mercado, o segmento em que atua e com seus públicos-alvos diretos e indiretos: clientes, fornecedores, parceiros, consumidores em geral. Muitas vezes exercida por profissionais duvidosos, que não têm nenhum critério de seleção dos fatos que vão transformar em notícias, para ser enviadas à imprensa, a Assessoria de Imprensa durante muito tempo foi vista como uma atividade menor, exercida por jornalistas incompetentes — muitas vezes, o eram, mesmo — que não tinham conseguido espaço para trabalhar nos grandes veículos de comunicação. Daí, a terrível dificuldade dos bons profissionais em obter bons resultados de seus trabalhos para os clientes, pois os “coleguinhas”, do outro lado do balcão — a redação — preferiam jogar os press-releases — notícias enviadas pelas Assessorias de Imprensa —, direto na sexta seção: a lixeira. Por outro lado, existem também os veículos que publicam os press-releases na íntegra, sem alterar uma vírgula, sequer, só faltando com a ética de não divulgar o nome do autor do referido texto, já que o mesmo não serviu de pauta, que é a sua função primária, mas como matéria pronta para a sua edição (sic).

Desavenças entre jornalistas de um lado e de outro da trincheira — um na redação de um veículo (jornal, revista, rádio, tevê, e, agora, internet!!!!) e outro na redação da agência de notícias empresariais, a verdade é que a atividade ganhou grande respeitabilidade nos últimos dez, quinze anos, pois passou a empregar muito mais profissionais do que a própria imprensa em geral, ganhando também planos de carreira, especialização, segmentação, enfim, uma nova roupagem que permite ao assessor de imprensa, da nova safra, transitar entre as redações com desenvoltura e elegância, não sendo mais visto com desconfiança pelos colegas, mas até com certa ponta de inveja, pois em geral, profissionais de assessorias de imprensa são mais bem remunerados do que os que trabalham nas redações. Essa nova aura do assessor de imprensa permite-lhe exercer sua atividade com mais eficiência e igualdade entre os demais profissionais de comunicação do mercado, sejam eles jornalistas de veículos, relações públicas, publicitários, etc….

A Assessoria de Imprensa, é, na verdade, apenas uma das ferramentas da Comunicação, e na Taxi Blue, é assim que ela é tratada. Se uma empresa deseja ter excelência em comunicação com seus públicos alvos internos — funcionários — e externos — mercado, segmento, consumidores finais —, ela deve privilegiar a Comunicação Integrada, que abrange todas as demais ferramentas: Relações Públicas, Promoção de Eventos, Ações Promocionais, Publicidade e Propaganda. Entretanto, essa pode ser a ferramenta escolhida pelo empresário para começar a arquitetar o seu departamento interno de Comunicação, principalmente se o seu orçamento é pequeno. Mas, antes de se expor publicamente, por meio da imprensa, é sempre muito importante que ele contrate a consultoria de um profissional especializado em detectar suas reais necessidades, principalmente especializado em enxergar “pautas”, ou assuntos, dentro da empresa, que possam ser transformados em notícias, por um Assessor de Imprensa.

Essa tarefa de consultor, claro, deve ser exercida por um jornalista com muita experiência dos dois lados do balcão — alguém que já tenha trabalhado em grandes veículos de imprensa, como repórter, editor, redator chefe — e, também como assessor de imprensa, pois esse profissional terá que visualizar o panorama social e econômico em que se insere a empresa a ser assessorada — sua provável cliente — por esses dois prismas, sem os quais não conseguirá executar um bom trabalho. Feito isso, e chegando-se à conclusão de que o que a empresa tem a oferecer, em termos de informação, é realmente de interesse público geral, ou de um segmento da economia ou da população, a empresa deve valer-se da prestação desses serviços. Claro, sempre convém checar a idoneidade do profissional e/ou da empresa contratada para exercer essa atividade, pois em primeira e última instâncias, o que estará em jogo será sempre a imagem institucional da empresa. Como a primeira impressão é a que fica, se a primeira exposição pública da empresa, por meio de um release, ou de uma coletiva, ou de uma sugestão de pauta, não for bem orquestrada, com textos muito bem escritos, revisados, informações confiáveis, fontes seguras, executivos bem treinados, o tiro poderá sair pela culatra.

A empresa não conquistará a empatia dos veículos de comunicação, podendo ficar visada como divulgadora de informações falsas, ou meias verdades, ou, pior ainda, com a fama de maquiadora ou manipuladora de informações. Se a intenção for apenas comercial, ou uma exposição low-profile, convém contratar os serviços de Publicidade e Propaganda e pagar pelo espaço na mídia. Sai mais barato do que correr o risco de expor-se, na vitrine da imprensa, de maneira inadequada ou prejudicial à imagem que se deseja construir. Nesse caso, as ferramentas da Publicidade ou da Propaganda são as mais adequadas, pois qualquer pessoa que vê um anúncio sabe que ele foi pago para ser produzido e publicado, embora muitos confundam a atividade do assessor de imprensa com a do publicitário, quando são completamente diferentes, embora complementares.

Voltando, portanto, à descrição da atividade do assessor de imprensa, sua missão é dar visibilidade, por meio da imprensa em geral, para uma empresa, uma entidade de classe, uma instituição sem fins lucrativos (ong), para o governo, em suas três esferas — municipal, estadual e federal — ou mesmo para um profissional liberal, político, artista. Ressaltando-se sempre que todos, sem exceção, devem divulgar informações que interessem também à população, ou aos respectivos segmentos em que atuam, e não àquelas que somente lhes interessam. Exemplo claro: o Governo, em qualquer âmbito, deve usar a imprensa, por meio de seus assessores, para comunicar seus programas de educação, seus investimentos na saúde, suas propostas culturais, etc…enfim, deve satisfações ao povo que o elegeu e a imprensa é o meio de comunicação que deve ser priorizado e usado para essa finalidade. O que não deve fazer é usá-lo apenas para sua autopromoção, pessoal, ou de um partido, porque isso não é de interesse público.mUm governo democrático, assim como seus assessores de imprensa, deve saber disso e usar os meios de comunicação com critérios éticos e morais. O mesmo exemplo vale para todos os outros interessados em usar essa ferramenta de divulgação. Com ética e seriedade de ambas as partes — assessores e assessorados — trata-se de uma atividade lícita, simples, de fazer chegar aos mercados, segmentos, clientes, consumidores, informações que são do seu interesse e que vão agregar valor ao seu nome, produto e/ou marca.

Em resumo: o bom assessor de imprensa, além de jornalista criterioso, também terá o papel de auxiliar o seu cliente no trato com a mídia, preparando-o, na maioria das vezes, para falar o que interessa aos veículos, e não só “o que” lhe interessa. Deverá ser ético, divulgando notícias de interesse da imprensa, mas que também não prejudiquem a imagem de seu cliente, nem comprometa o resultado de seus negócios, expondo-o, desnecessariamente à concorrência.

O bom assessor de imprensa é o jornalista que trabalha na antessala das redações, filtrando e manufaturando as informações que recebe de seu cliente, transformando-as em notícias de interesse da imprensa e do público em geral, de acordo com as características específicas, tanto do assessorado, quanto do veículo. Exemplo: um bom assessor de imprensa não manda um press-release de uma empresa de hotelaria para o segmento cultural, se esta não tiver algo a ver com o objetivo do caderno, que é a divulgação e promoção das artes e da cultura. Do mesmo modo, não deverá enviar o mesmo press-release, para TODOS os editores de uma revista, jornal, rádio ou tevê, não importando os seus cargos e/ou editorias, agindo como um franco atirador. Ao contrário. Seu mailing-list — listagem com nomes de profissionais da imprensa deverá estar sempre atualizado — o turn-over é muito grande nas redações — e as notícias deverão ser encaminhadas somente a quem de fato interessar, de acordo com seu conteúdo. Agindo com todos esses cuidados, meticulosamente, o profissional e/ou empresa de Assessoria de Imprensa sempre terá um clipping –recortes das reportagens publicadas —  como resultado de seu trabalho, recheado de boas notícias para apresentar ao seu cliente.

(*)Marisa Rodrigues é jornalista, com mais de vinte anos de expertise em Assessoria de Imprensa, formada pela Faculdade de Comunicação Social da Fundação Cásper Líbero; professora de Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa, formada pelo Instituto de Letras, História e Psicologia da Unesp, campus de Assis, São Paulo; com diversas especializações em marketing e comunicação, como Marketing de Serviços, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Marketing Digital, pela Madia Mundo Marketing; é autora dos seguintes livros de poesia: Anjo Descalço (1981), Maestro de Sonhos (1983), Seis da Tarde – Os Homens Viram Sombras ( 2000, inédito), Cerejas Azuis da Meia Noite (2015, editora e-galáxia) e Aguardente para Borboletas (2017, editora e-galaxia), além de ter sido premiada e participado de diversas publicações, como antologias, poesia reunida, exposições de poesia no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro; no Centro Cultural de São Paulo e, ainda, com um outdoor poético na rua da Consolação, graças a um concurso e prêmio outorgado-lhe pela Central de Outdoors de São Paulo. É sócia-fundadora da Taxi Blue Comunicação Estratégica e publisher do portal Boi a Pasto, desde 2006. Atualmente, seu trabalho poético está sendo traduzido para o inglês, enquanto a autora trabalha na escrita de seu primeiro romance, Um Tal de Tião Mirante, que conta a  saga das famílias de seus pais e avós, originária das imigrações italiana e espanhola, por volta de 1945, com pinceladas de ficção.

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