OLIVETTI PORTÁTIL: SIM, EU TAMBÉM TIVE UMA

por Marisa Rodrigues

…e pensar que já usei uma máquina portátil dessas, de escrever, a loooooooooooooooooonnnng time ago. Parece que foi no milênio passado. Opppps, e foi mesmo. Nos idos de 198 e bolinhas, meu objeto do desejo era uma Olivetti portátil e no dia dos Namorados ou do meu niver, não me lembro exatamente, ganhei uma do meu boyfriend da época. Embora eu desejasse a máquina, como era para trabalho, na hora foi aquela sensação de ganhar uma panela de pressão ou um liquidificador, sabem como, né? Dá uma sensação esquisita na boca do estômago, vc não sabe se ri ou se chora, mas o que faz mesmo é agradecer, para manter o bom nivel da relação.

Passado o primeiro embate com a tal máquina, eu me apaixonei por ela. Ela simplesmente virou minha companheira de viagem, como os tablets e notebooks o são hoje em dia. Não a largava mais, por nada. Ajudou-me muito com os trabalhos (textos, o que mais poderia ser???) da faculdade _ à época, eu ainda era estudante do curso de Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, da Fundação Cásper Líbero — mas, principalmente, me propiciou minha independência financeira.

Foi a partir dela que eu me aventurei a pegar os meus primeiros frelances e, mesmo antes de formada, me aventurei a prestar serviços de repórter-redatora para os mais diferentes patrões, desde Casa Vogue, Revista Criativa, Revista Gravuras e Gravadores, Guia 4 Rodas, Jornal Shopping News, Revista Vogue (sim, com ninguém menos que Inácio de Loyola Brandão como chefe e editor), além dos famigerados roteiros de tevê para os programas Sucesso Negócios e Sucesso Turismo do nosso atual governador João Dória Jr, que à época era sócio da agencia SLD (Stalimir, Lara (Luis Lara) e Dória, onde eu trabalhava durante o dia, como CLT, e ainda fazia os meus bicos por fora, pois ele era fã dos meus textos.

Como esquecer um objeto que permitiu-me ganhar o pão de cada dia, fazendo o que eu mais gostava de fazer, e ainda era paga para isso? Só fico triste quando vejo máquinas semelhantes guardadas como relíquias em estantes de vidro, nos estúdios em que se transformaram as casas dos jornalistas que cobrem a pandemia de Covid-19, direto de seus home offices, e eu fico babando de inveja, porquê não tenho mais a minha inesquecível Olivettinha. Num dia de fúria, certa de nunca mais iria usá-la, com o advento dos computadores e toda traquitana que se lhes seguiram, joguei-a no lixo. Novinha. Impecável. Com maletinha e tudo. Qual não foi minha surpresa, quando a empregada que eu tinha à época, passou-lhe a mão, rapidinho, dizendo-me que iria levá-la para os filhos brincarem. Meu consolo é que eles realmente tenham feito isso, nem que tenha sido vez ou outra, pois ela não merecia esse destino tão cruel. E banalíssimo. Já eu, tenho o resto da vida para me arrepender…

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