Ativistas de SUV e iPhone não são confiáveis

Por Marisa Sevilha Rodrigues (*)

IMAGEM:da Internet, autor desconhecido

Como entender que um jovem engenheiro ambiental – com mestrado e doutorado, por excelentes faculdades –, poste em suas redes sociais fotos de porcos sacrificados em granjas imundas, sob todos os indícios de máxima crueldade, como se fossem retratos do que acontece em nossas indústrias frigoríficas, as maiores exportadoras de carne suína do Brasil? Vamos tentar decifrar isso, então: como é que em sã consciência, do alto de seus belíssimos certificados, uma pessoa faz isso, só porquê é vegana? Até aí, nada contra. A pessoa não só como deve, e tem todo o direito de escolher seus hábitos e estilos de vida. Se acha que comer carne de origem animal não vai fazer bem para sua saúde, embora todos os estudos científicos digam o contrário, ok, calamos o nosso bico, não temos nada com isso. Problema seu e de sua geração que crescerá raquítica.
Agora, querer impôr isso à comunidade que a cerca, usando imagens de maus tratos animais que não condizem, nem de longe com o chão de fábrica da indústria de carnes brasileira, é de um nonse inominável. Se um analfabeto funcional faz isso, a gente sente compaixão pela burrice alheia, mas, entende. Existem os artistas ignaros, que vivem dando essas bolas foras, como Bela Gil, Anita, Xuxa, entre tantos outros, mas eles têm o objetivo de inflarem suas listas de seguidores nas redes sociais. Eles sobrevivem do sucesso que fazem com o público e, por isso, a gente não concorda mas os compreende.
Mas, gente que se se formou com dinheiro público, nas melhores universidades brasileiras, usar desse subterfúgio para denegrir a imagem de um dos setores que mais se modernizaram nos últimos trinta anos, dentro do agronegócio, conseguindo alçar-se à posição de maior exportador de carne bovina, suína e aviária do mundo, por causa de seus rígidos controles de sanidade, muito disso, graças às exigências do consumidor atual, antenado com a procedência de tudo que compra, ingere, veste ou usa? É incompreensível. Aliás, inadmissível, e vou além: deveria ser passível de crime, porquê se for investigado mais a fundo, uma postagem irresponsável dessas deve cair, rapidinho, na fossa das Fake´s News. Como diria minha saudosa mãezinha, quando éramos estudantes universitários e dizíamos alguma ignorância do gênero e ela retrucava: esses aí “estudaram para serem burros”, e eu não entendia o que ela queria dizer. Taí. A pessoa leu, pesquisou, estudou, se formou, mas continuou, ou pior, aprofundou-se em um comportamento mesquinho de se deixar cegar, e ainda querer levar junto todos os seus semelhantes, pois é do alto de seus títulos, deve saber, sim, que a sabe a indústria frigorífica nacional é responsável pelo abate e comercialização de 750 mil toneladas por ano (dados da ABPA, 2019). Sõ em dezembro, foram embarcadas 76 mil toneladas, o maior embarque mensal já registrado na história do setor. Em receita, o saldo das vendas alcançou US$ 1,597 bilhão, número 31,9% maior que o resultado de 2018, com US$ 1,2 bilhão. Ainda em dezembro, as vendas chegaram a US$ 183,6 milhões – maior saldo mensal já alcançado pelo setor, com 61% destinado a China, Rússia e Emirados Árabes, sendo que os mercados orientais são dos mais exigentes do mundo, em termos de sanidade, contendo regras específicas de abate, especialmente humanitário, como para os lotes exigidos pelo Kosher (judeu) e Hallal (islamita).
Esses números mostram que as pessoas estão preocupadas com a questão da saúde dos animais queirão consumir em suas casas, junto com suas famílias, amigos e vizinhos. Elas querem, exigem e fazem questão de controle sanitário não só dos métodos de abate, mas da própria produção animal, antes de chegarem aos frigoríficos. E este é outro assunto – bem-estar animal — que os ambientalistazinhos que usam carro SUV e compram tudo o que é eletrodoméstico para suas cozinhas, num consumo desenfreado e absolutamente – este sim – prejudicial para o planeta, parecem não saber, ou fazem questão de ignorar.
Só para deixar bem claro: o bem estar animal é uma ciência desenvolvida pela médica veterinária Mary Temple Grandin (Boston, 29 de agosto de 1947), uma mulher com autismo (de alto funcionamento) que revolucionou as práticas para o tratamento racional de animais, implementada nas fazendas produtoras de carne (suína, bovina e aviária) no mundo inteiro e, claro, não poderia deixar de sê-lo no Brasil onde temos o maior rebanho bovino do mundo, da ordem de 210 milhões de cabeças, e dependemos da segurança sanitária para mantermos o ritmo de nossas exportações, de 1,847 milhão de toneladas, em 2019, segundo dados da ABIEC (Associação Brasileira da Indústria da Carne), atingindo uma receita de US$ 7,59 bilhões. Indústria essa que emprega milhares de pessoa no País, em vários segmentos da pecuária, desde às produções nas fazendas, até o transporte, abate e o preparo das carcaças em lotes para distribuição, tanto nos mercados interno como externo. Existem municípios, como Chapecó, no Estado de Sta. Catarina, cuja economia gira em sua função, num sistema de parceria com os granjeiros para produção contínua de frangos e suínos, num trabalho incansável, para que as linhas de produção não fiquem paradas e não faltem carne nas gôndolas dos supermercados e nem nas nossas casas. Muito menos, o nosso sagrado peru do Natal, e nem o famoso lombo recheado com abacaxi, –que eu faço divinamente, mas essa já é outra estória –, no Reveillon.

Marisa Sevilha Rodrigues (*) é formada em Letras pela Unesp, campus de Assis, e em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, pela Fundação Cásper Líbero, SP; Ela também é escritora e poeta, com quatro livros de poemas publicados, um inédito e, agora, trabalha diariamente na escrita de seu primeiro romance, UmTal de Tião Mirante. Fundadora e CEO da Taxi Blue Comunicação Estratégica, também é Publisher do portal Boi a Pasto

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